terça-feira, 26 de junho de 2012


Garantir que as crianças aprendam a ler e escrever assim que entram na escola é o seu grande desafio, professor alfabetizador. Telma Weisz, fala sobre a relação entre a cultura escrita, as práticas de linguagem e a alfabetização.


Momento de Reflexão

Receita de Alfabetização:

Ingredientes:
1 criança de 6 anos
1 uniforme escolar
1 sala de aula decorada
1 cartilha

Preparo:
Pegue a criança de 6 anos, limpe bem, lave e enxágue com cuidado. Enfie a criança dentro do uniforme e coloque-a sentadinha na sala de aula (decorada com motivos infantis). Nas oito primeiras semanas, sirva como alimentação exercícios de prontidão. Na nona semana, ponha a cartilha nas mãos da criança.
Atenção: tome cuidado para que ela não se contamine com o contato de livros, jornais, revistas e outros materiais impressos.
Abra bem a boca da criança e faça com que ela engula as vogais. Depois de digeridas as vogais, mande-a mastigar uma a uma as palavras da cartilha. Cada palavra deve ser mastigada no mínimo sessenta vezes. Se houver dificuldade para engolir, separe as palavras em pedacinhos.
Mantenha a criança em banho-maria durante quatro meses, fazendo exercícios de cópia. Em seguida faça com que a criança engula algumas frases inteiras. Mexa com cuidado para não embolar.
Ao fim do oitavo mês, espete a criança com um palito, ou melhor, aplique uma prova de leitura e verifique se ela devolve pelo menos 70% das palavras e frases engolidas.
Se isso acontecer: considere a criança alfabetizada. Enrole-a num bonito papel de presente e despache-a para a série seguinte.
Se isso não acontecer: se a criança não desenvolver o que lhe foi dado para engolir, recomece a receita desde o início, isto é, volte aos exercícios de prontidão. Repita a receita quantas vezes forem necessárias. Se não der resultado, ao fim de três anos enrole a criança em um papel pardo e coloque um rótulo: “aluno renitente”.

Alfabetização sem receita

            Pegue uma criança de seis anos ou mais, no estado em que estiver, suja ou limpa, e coloque-a numa sala de aula onde existam muitas coisas escritas para olhar, manusear e examinar.
            Sirva jornais velhos, revistas, embalagens, anúncios publicitários, latas de óleo vazias, caixas de sabão, sacolas de supermercado, enfim tudo o que estiver entulhado no armário de sua casa ou escola e que tenha coisas escritas.
            Convide a criança para brincar e ler, adivinhando o que está escrito. Você vai descobrir que ela sabe muita coisa!
            Converse com a criança, troque ideias sobre quem são vocês e as coisas de que gostam ou não. Depois escreva no quadro algumas coisas que foram ditas e leia para ela.
            Peça à criança que olhe as coisas escritas que existem por aí, nas ruas, nas lojas, na televisão. Escreva algumas dessas coisas no quadro.
            Deixe a criança cortar letras, palavras e frases dos jornais velhos. Não esqueça de pedir que ela limpe a sala depois, explicando que assim a sala fica limpa.
            Todos os dias leiam em voz alta alguma coisa interessante: historinhas, poesia, notícias de jornal, anedota, letra de música, adivinhação, convite, mostra numa nota fiscal algo que você comprou, procure um nome na lista telefônica. Mostre também algumas coisas escritas que talvez a criança não conheça: dicionário, telegrama, carta, livro de receitas.
            Desafie a criança a pensar sobre a escrita e pense você também. Quando a criança estiver tentando escrever, deixe-a perguntar ou ajudar o colega. Aceite a escrita da criança. Não se apavore se a criança estiver “comendo” letras. Até hoje não houve caso de “indigestão alfabética”.
            Invente sua própria cartilha, selecione palavras, frases e textos interessantes e que tenham que ver com a realidade da criança. Use sua capacidade de observação, sua experiência e sua imaginação para ensinar a ler. Leia e estude sempre e muito.

Adaptado de: CARVALHO, Marlene. Alfabetização sem receita e receita de alfabetização. In: Carpe dien. Belo Horizonte, Centro de Aperfeiçoamento de Profissionais da Educação. Ano IV, jan./fev. 1994.
  
Textos retirados do livro:
CÓCCO, Maria Fernandes; HAILER, Marco Antônio. Didática de Alfabetização: Alfabetização e Socioconstrutivismo. São Paulo: FTD, 1996, p. 48-9.


E, aí, qual a receita que você vai utilizar?


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Alfabetizando



A intenção deste blog é falar um pouco sobre como se dá o processo de alfabetização, as dificuldades, os desafios... Embarque você também nessa história.


alfabetização consiste no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código decomunicação. De um modo mais abrangente, a alfabetização é definida como um processo no qual o indivíduo constrói a gramática e em suas variações.


Nenhum nome teve mais influência sobre a educação brasileira nos últimos 30 anos do que o da psicolinguista argentina Emilia Ferreiro. A partir de meados dos anos 1980, causou um grande impacto sobre a concepção que se tinha do processo de alfabetização, influenciando as próprias normas do governo para a área, expressas nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Para a educadora Telma Weisz, que foi aluna da psicolinguista "A história da alfabetização pode ser dividida em antes e depois de Emilia Ferreiro"


Segue abaixo o link de um vídeo super interessante, realizado pela NOVA ESCOLA com a educadora Telma Weiz.






AS DIFICULDADES DA ALFABETIZAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS: SERÁ UM PROBLEMA DE MÉTODO?
 Sabe-se que o segredo da alfabetização é a leitura, e escrever é decorrência desse conhecimento. Não se pode escrever para depois ler; é o inverso, primeiro o aluno se familiariza com os vários tipos de texto, lê, e depois escreve. Neste sentido é necessário repensar que um novo método não resolve os problemas da alfabetização. É preciso analisar as práticas de introdução da língua escrita, tratando de ver os pressupostos subjacentes a elas, e até que ponto funciona como filtros de transformação seletiva e deformante de qualquer proposta inovadora. Procurar sempre uma forma de oferecer à criança a base de sustentação da alfabetização: a leitura, para que haja uma alfabetização concreta e significativa para o aluno.